Título: A Praia dos Amores Clandestinos Autor: Eurydice Género: Romance Ano: 2021 ISBN: 978-989-8894-54-0 Formato: 16 x 23,5 cm Páginas: 168 P.V.P.:
«Ambos eram gente do povo. Não se entendiam quando eram mais novos. Sem se saber como, nem por que milagre divino, da noite para o dia, Naia e Silone decidiram viver juntos. Iniciaram a vida conjugal pouco tempo depois de uma relação episódica numa dada ocasião festiva na afamada praia de areia branca com calhaus rolados em vários tons dourados. Os dois já tinham passado cerca de vinte e tal anos a morar juntos, exceto trinta e quatro meses e dezasseis dias que estiveram de cama, mesa e sonhos separados, somando o tempo que durou cada um dos rompimentos, inclusive uma vez em que esteve quase a ser para sempre, porque Silone, que era o seu companheiro de longa data, tinha casado com uma francesa muitos anos mais velha do que ele, com o pretexto de obter a nacionalidade daquele país, e essa francesa, descendente de legítimos gauleses, nascida e criada muito ou pouco provavelmente num dos palacetes de Champs-Élysées, educada à francesa num dos colégios privados em Paris e cursado em Sorbonne, a quem Silone tratava na palma da mão e agarrava com muita ternura para que essa não fugisse a sete pés, viera a Cabo Verde, a fim de tirar as devidas satisfações e reaver os seus legítimos direitos de esposa de papel passado.»
Título: A Ponte de Kayetona
Autor: Eurydice Género: Romance Ano: 2016 ISBN: 978-989-99610-6-7 Formato: 16 x 23 cm Páginas: 136 P.V.P.: 1.000$00
Isto não é nada do que parece. Aconteceu há muitos anos atrás, num lugar pequenote à
beira-mar. Naquele tempo, assistia-se na Kayeta a uma verdadeira guerra de trincheiras
entre os negociantes da boca do porto e as gentes do padre de Riba da Achada. A sociedade
local reunia-se na modesta taberna de Tabugal, no centro da Rua Larga, na descida da
igreja matriz. Num belo dia do tempo mais quente, convidaram Akintola, um bonito rapaz,
cavaleiro de índole vulcânica, para passar uns dias de férias com eles ali nessa banda
calma e fresca do litoral-acima da Ilha. O recém-chegado, que andava na casa dos vinte,
transformou-se em peão nos jogos da época. O facto é que, por uma ou outra razão que nunca
se soube ao certo, ele deixou-se ficar por ali.Passados mais de trinta anos, Akintola (já
um homem idoso) continuava a pensar naquilo. Certa vez, acordando em sobressalto, decidiu
que iria poemar e romancear sobre as coisas do seu tempo. Para escrever as suas memórias,
nhu Akin procurava alguém que o auxiliasse enquanto assistente particular, cuja missão era
descobrir a razão por que um homem grande desse vilarejo pacato se tinha suicidado,
justamente no dia em que ele chegou ao vilarejo. E assim, repentinamente, a desaforada
Naia, afilhada da Tabugal, entraria em cena, rompendo tal sombra escura do passado. À
letra, é isto um relato romanesco sobre o poder de boatos se transformarem em factos.